A campanha salarial de 1979 deu-se na esteira das greves deflagradas a partir de maio de 1978. O clima para a realização da campanha salarial de 1979, portanto, era de euforia. O Sindicato gozava de reconhecimento, prestígio e confiança junto aos trabalhadores.
A preparação e a organização da campanha ocorreram por meio das reuniões nas fábrica, envolvendo os ativistas e as lideranças das fábricas. As discussões da pauta serviram para dar a organização esperada pela direção do Sindicato. O conjunto da militância passou a se reunir no que se denominou de Comissão de Salários, que tinha como objetivo mobilizar e organizar os trabalhadores dentro das fábricas.
O início da campanha deu-se conjuntamente com 34 Sindicatos de todo o Estado de São Paulo, sob a coordenação da Federação dos Metalúrgicos.
Decidiu-se encaminhá-la com base numa pauta unitária de reivindicações.
A pauta tinha 21 itens, sendo os principais: reajuste salarial igual ao fator acrescido de 34,1%; piso salarial igual a três salários mínimos; garantia do emprego; estabilidade para os delegados sindicais (na verdade, era a primeira vez que o Sindicato propunha a figura do delegado sindical); redução da jornada para 40 horas; reajuste salarial após três meses, de acordo com os índices do Dieese, e estabilidade para os acidentados.
No dia 13 de março teve início a primeira greve geral em função de campanha salarial. Até ali, mesmo conhecendo a pauta dos trabalhadores, os patrões não haviam apresentado uma contraproposta considerada aceitável.
No dia 12 de março, a Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo aceitou uma das propostas apresentadas pelos patrões, rompendo, assim, com a decisão inicial de realizar uma campanha unitária.
A greve geral dos metalúrgicos de São Bernardo e Diadema durou de 13 de março a 13 de maio, quando foi votada, em assembléia no Estádio de Vila Euclides, a proposta de acordo. A proposta estabelecia, entre outras coisas, o pagamento dos dias parados; aumento de 11% conquistado pelos trabalhadores nas greves de maio de 78; encaminhamento ao governo de estudos referentes à legislação do Fundo de Garantia e da estrutura sindical, da legislação de greve, da nova sistemática de representação sindical e do sistema de negociação coletiva.
Durante esse período, o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) decidiu, em julgamento, declarar a greve ilegal e rejeitar a proposta de criação dos delegados sindicais nas empresas.
Foi criado o Fundo de Greve, que funcionava inicialmente nos porões do prédio do Sindicato e, posteriormente, na Igreja Matriz de São Bernardo.
O Sindicato sofreu intervenção federal e os trabalhadores realizaram um dos maiores atos de 1º de Maio da história do Sindicato, com a participação de mais de 150 mil pessoas no Estádio de Vila Euclides. A missa celebrada no Paço Municipal teve a presença do poeta Vinícius de Moraes.
A intervenção no Sindicato foi suspensa no dia 15 de maio e, no dia 18, a diretoria reassume oficialmente suas antigas funções na sede da entidade.