O III Congresso foi aberto em 3 de setembro por uma assembléia que escolheu a estrutura e a organização como temas básicos. A partir daí, iniciou-se um processo de discussão envolvendo as fábricas para elaborar um documento guia.
O congresso se realiza num período em que a política neoliberal implementada pelo Governo FHC tem mantido o processo recessivo e estimulado o desemprego.
A região do ABC, assim como outras áreas industrializadas, tem sido uma das vítimas de todo este contexto, com uma taxa de desemprego local de 22%. O setor metalúrgico vem passando por fortes mudanças desde o início da década de 80, impulsionadas sobretudo pela reestruturação produtiva. A automação, o trabalho polivalente, células de produção: enfim, o conjunto de transformações impõe imensos desafios para o Sindicato e organizações no local de trabalho. Em particular, a negociação da modernização produtiva com a preservação de postos de trabalho.
O enfrentamento desses desafios, passa pelo fortalecimento do Sindicato nos locais de trabalho, como uma das formas essenciais de construir a resistência às agressões ao emprego e às conquistas e aos direitos dos trabalhadores. Por isso, um dos principais eixos dos debates foi a ampliação e consolidação dos 68 Comitês Sindicais por Empresa e um Comitê Sindical de Aposentados, reentemente eleitos.
A reflexão sobre essa conjuntura fez parte dos debates realizados pelos trabalhadores durante dois meses, até a instalação do Congresso no dia 5 de novembro, na sede do Sindicato. Após dois dias de debates, os delegados aprovaram resoluções, visando preparar o Sindicato para os desafios do novo milênio.
As deliberações mais importantes foram: consolidar a organização no local de trabalho através dos Comitês Sindicais de Empresa. As discussões giraram em torno da necessidade de, por um lado, aumentar o número de comitês existentes, por outro, aprofundar e qualificar a sua atuação. Outra deliberação propõe incentivar as cooperativas como forma de produção solidária e pensar em formas alternativas de complementação da renda através dos fundos de pensão. Essas cooperativas já são uma realidade no ABC, e a decisão do Congresso de criar a Unisol – União de Solidariedade entre Cooperativas – tende a melhorar a intervenção do Sindicato nesse processo. Por último, mesmo sem deixar de lado a luta por uma aposentadoria pública, o congresso iniciou uma discussão inédita para o sindicalismo – a criação de um fundo de pensão.
Os delegados decidiram, também, ampliar o sistema de comunicação do Sindicato, ampliar a Tribuna Metalúrgica, implantar uma rádio comunitária e um programa de TV para que o Sindicato fale com a comunidade.
Encerrado no dia 7 de novembro, o III Congresso representou mais um passo na luta pela organização da categoria no chão da fábrica, na luta em defesa dos seus direitos e de um sindicalismo comprometido com o futuro do país.