O 2º Congresso do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, unificado em 1993, realiza-se na sede do sindicato e conta com a participação de mais de 500 delegados no Ato de Abertura, em 12 de dezembro de 1996, onde se discutiu e aprovou o regimento interno.
Uma metodologia inovadora norteou a organização do congresso visando proporcionar a participação do maior número possível de trabalhadores nos debates que centraram-se nos temas: “Que Brasil Queremos?”, “Política Industrial e Reestruturação Produtiva”, “Estrutura e Organização do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC” e “Funcionamento e Gestão Administrativa”.
Para tanto, o congresso realizou-se em 4 etapas.
Na primeira etapa (janeiro/fevereiro), são distribuídas mais de 5.000 cartilhas abordando os temas centrais, para subsidiar as discussões nas reuniões por local de trabalho, onde são coletadas as opiniões dos trabalhadores através de pesquisas individuais em cerca de 73 fábricas.
Na segunda fase (março/abril), promovem-se debates nas fábricas com base nos relatórios da primeira etapa, onde os trabalhadores apresentaram emendas às propostas da diretoria, bem como sugestões de resoluções.
Na terceira etapa (abril/maio), ocorrem novas reuniões, nas quais se discutem as emendas e as propostas apresentadas na etapa anterior, além da eleição dos delegados, conforme número de sindicalizados por fábrica.
Na quarta etapa, nos dias 16 e 17 de maio, os delegados reúnem-se na Plenária de Resoluções discutindo e deliberando sobre todas as propostas. Por último, no dia 18 de maio realiza-se um Ato de Encerramento do Congresso.
Após quase seis meses de debates nas fábricas e centenas de reuniões, os metalúrgicos do ABC encerraram seu 2º Congresso, marcando uma etapa na preparação da atuação do sindicato para o ano 2000. Na discussão da conjuntura nacional abordada através do tema “Que Brasil Queremos?”, foram estabelecidas como prioridades: as ações combate ao desemprego, defesa dos direitos trabalhistas, reforma agrária e consolidação do ABC como região industrial, intensificação das ações junto às prefeituras e à Câmara Regional do ABC para estabelecer medidas de criação de novos postos de trabalho.
Elencando e analisando os desafios decorrentes da reestruturação produtiva e ausência de política industrial do país, abordados no 2º tema, foi decidida a consolidação de seis frentes de luta: redução da jornada, formação profissiona,; melhores condições de trabalho, fortalecimento do Grande ABC, defesa do meio ambiente e do FGTS.
Quanto à estrutura de organização do sindicato, a estratégia sindical passou pela consolidação de seu enraizamento dentro das fábricas, por isso, uma das resoluções inovadoras foi sobre a formação da diretoria, que se amplia de 64 para 200 membros a princípio, a partir da criação dos Comitês Sindicais de Empresa como interlocutores do sindicato por local de trabalho e instrumento de fortalecimento das comissões de fábrica, Cipas, etc.
O funcionamento e a gestão administrativa passarram por uma significativa reformulação. Os delegados aprovaram a proposta de extinção definitiva do Imposto Sindical e o fim da Contribuição Assistencial, além de qualquer taxa confederativa. Basicamente a sustentação financeira do sindicato será mantida pelas mensalidades que foram readequadas de 1 para 1,5% e por uma taxa negocial, submetida a aprovação nas assembléias referentes às negociações coletivas, como uma maneira dos não-sócios contribuírem com o financiamento das lutas da categoria.
No encerramento do Congresso, realizado na sede do sindicato, que contou com a presença de convidados do meio artístico, político e representantes de outras categorias, além de inúmeros trabalhadores, aprovou-se um manifesto, no qual os delegados expressam repúdio à compra de votos que o governo FHC estimulou para aprovar a emenda de reeleição e firmam a disposição de organizar a resistência contra o avanço da política neoliberal do governo.