A Campanha salarial de 1994 começou de forma diferente. No dia 3 de janeiro o presidente da Fiesp, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, compareceu à sede do Sindicato, em São Bernardo, para definir uma extensa pauta sobre o relacionamento capital-trabalho. Do encontro surgiu uma lista com 10 assuntos que seria analisada em profundidade por comissões técnicas do Sindicato e da Fiesp.
No dia 27 decidia-se que a principal luta da campanha salarial seria a redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, para 40 horas. A decisão foi tomada em reunião com representantes dos sindicatos do Estado ligados à Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM) da CUT, na sede da entidade, em São Paulo. A pauta da campanha também incluía adicional noturno para o período das 18 às 6h e a entrega do extrato do FGTS pelas empresas à Caixa Econômica Federal e cópia ao Sindicato, semestralmente.
Dia 19 de fevereiro o Sindicato marca reunião da Comissão de Mobilização para discutir campanha salarial e pauta para a Fiesp. Para o dia 25 do mesmo mês toda a categoria era convocada a participar de assembléia para discutir a campanha salarial, que era colocada na rua no mesmo dia.
No dia 1o de março a Fiesp recebe a pauta de reivindicações da campanha salarial de 1994.
Em 16 de março começa a primeira rodada de negociações da campanha salarial de 94, na Fiesp. Reuniram-se representantes da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT e do Grupo dos 10 da Fiesp, integrado, entre outros, pelos sindicatos patronais de funilaria, lâmpadas e estamparia.
Dia 19 de março: nova assembléia no Sindicato para discutir a campanha salarial.
Em nova reunião com representantes da Fiesp, no dia 25 de março, os metalúrgicos definiram cinco itens prioritários: reajuste necessário para repor as perdas causadas pelo plano econômico do governo; aumento real compatível com o crescimento do setor automotivo; redução da jornada para 40 horas semanais; piso salarial de 350 dólares em abril (CR$ 297.500); e fim da hora extra.
Até 31 de março os empresários diziam não às reivindicações da campanha salarial desenvolvida pelo Sindicato. Nova assembléia foi marcada para o dia 9 de abril. A Fiesp apresenta propostas diferenciadas de reajuste salarial e torna a assembléia difícil. Tanto assim que, logo após a assembléia, os trabalhadores reuniram-se em grupos dentro do Sindicato para discutir as propostas e tirar os encaminhamentos.
No dia 14 de abril, a campanha salarial entrava em sua fase mais importante, com a paralisação de 27 mil metalúrgicos. Em 19 de abril, representantes de 24 empresas ligadas ao Grupo 8 estiveram na sede do Sindicato e mostraram-se dispostos a negociar o reajuste salarial. Assim, vários acordos foram fechados por empresas.
Balanço preliminar divulgado no dia 5 de maio pela Federação Estadual dos Metalúrgicos, envolvendo 13 sindicatos e um total de 295.400 trabalhadores, revelava que 241.520 metalúrgicos de todo o Estado (o equivalente a 81,7% do universo pesquisado) conquistaram acordo com aumento real entre 18 e 19% sobre os salários de março já convertidos em URV. Os números mostravam que a campanha salarial podia ser considerada uma vitória expressiva da categoria.
O Sindicato anunciava, no dia 10 de junho, que a campanha salarial só terminaria quando o aumento real fosse concedido para todos os trabalhadores da categoria. No dia 17 de junho, após assembléia na sede regional de Mauá, ficou decidido o envio de pauta a todas as empresas reivindicando aumento real.
No final da primeira quinzena de julho, a luta pela organização no local de trabalho havia crescido em toda a base. Mesmo os trabalhadores nas empresas menores incluíam a comissão de fábrica ou delegado sindical como ponto importante nas pautas de reivindicações negociadas com as empresas.
Ainda em julho, depois do dia 21, os sindicatos filiados à CUT começam a mobilizar as categorias para uma campanha unificada por reajustes mensais da inflação em real, independente da data-base.
No dia 4 de agosto, em reunião com representantes da Anfavea e do Sindipeças, o presidente do Sindicato, Heiquiberto Della Bella Navarro, o Guiba, lembrou que a inflação em real no mês de julho, calculada pelo IPC-r em 6,08%, deve ser repassada aos salários dos metalúrgicos que trabalham nos setores da indústria automobilística, de autopeças, de forjaria e parafusos, conforme o estabelecido no Acordo Automotivo da Câmara Setorial, assinado em 1992 e que ficaria em vigor até abril de 1995.
Foi marcada nova reunião para o dia 11. E, nesse dia, não houve reunião porque a Anfavea não mandou representantes. Em encontro realizado no dia 17, o diretor-executivo da Anfavea, Nélson Tavares, viu dificuldades no repasse da inflação de julho e considerou “precipitada” a ameaça de greve feita pelos trabalhadores.
Mobilização feita por mais de 35 mil metalúrgicos no dia 25 de agosto fez com que a Anfavea convocasse os diretores do Sindicato para uma reunião no dia 31, quando pede 48 horas de prazo para dar uma resposta às reivindicações.
No dia 5 de setembro, o vice-presidente da Anfavea, Mauro Marcondes Machado, diz aos diretores do Sindicato que as empresas estão com dificuldades para se mover livremente.
A campanha salarial prosseguia no dia 9 de novembro com reunião da Comissão de Mobilização, na sede do Sindicato. Foram discutidos a reposição integral do IPC-r em novembro, o estabelecimento imediato de uma política salarial futura e a questão do 13o e 14o salários.
No dia 18 de novembro, o Sindicato promovia assembléia para discutir reposição das perdas salariais acumuladas entre julho e outubro, de 15,67% (IPC-r) e uma política salarial até a data-base, em abril de 95.
A campanha salarial dos metalúrgicos foi intensificada na última semana de novembro com o aumento da mobilização da categoria através de assembléias nas portas das fábricas. No dia 25 de novembro, assembléia na sede do Sindicato aprovou acordo com o setor de autopeças, estabelecendo 15,67% de reajuste, mesmo índice aplicado pelas montadoras. No dia 30, foi a vez dos trabalhadores do Grupo 8 (máquinas, eletroeletrônicos e forjaria) aprovarem o mesmo índice.
Em dezembro, a campanha salarial prosseguia, pois faltavam ainda alguns setores. No dia 5, o Grupo 10 (lâmpadas, funilaria, estamparia e indústria mecânica) definiu o reajuste, que foi o mesmo dos outros setores, o mesmo acontecendo, no dia 7, com o setor de fundição, o único que faltava. Dessa forma, 400 mil metalúrgicos de todo o Estado, fora da data-base, tiveram reajuste salarial referente à inflação de julho a outubro.