Em 1985 houve uma mudança de qualidade na campanha salarial, com um processo de unificação das lutas e introdução de novas reivindicações e conquistas. Este salto de qualidade foi possível, de um lado, pelo papel político da CUT que, com a Campanha Nacional de Lutas, permitiu a unificação das principais bandeiras do movimento e criou um grande canal para que as lutas pudessem convergir e evoluir. De outro, com o mais duro e decisivo teste da classe trabalhadora: a campanha salarial dos metalúrgicos da CUT, em abril.
Essa campanha salarial ocorreu no período de posse do novo governo, da doença e morte de Tancredo Neves e de um forte discurso de pacto social. Portanto, em uma conjuntura política extremamente difícil e delicada.
A campanha salarial de 1985 quebrou a proposta de pacto social, revelou para a classe trabalhadora os novos mecanismos de repressão política da Nova República e derrubou a jornada de trabalho, depois de 50 anos.
“Trabalhar menos, para trabalharem todos e viverem melhor”, foi o lema da campanha de redução de jornada.
As divergências políticas haviam se agravado no interior do movimento sindical. O Governo Sarney propunha um pacto social, com o apoio político das principais lideranças da Conclat, enquanto a CUT repudiava a política de conciliação de classes e mantinha seu compromisso com autonomia e independência da classe trabalhadora.
A pauta de reivindicações da campanha salarial envolvia liberdade e autonomia sindical; salário mínimo real; salário-desemprego; reajuste trimestral; Constituinte livre, soberana e democrática; 40 horas semanais; reforma agrária e direito de greve.